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🍋 O que o teu pai ou a tua mãe já não pode decidir, tu ainda podes

Os anos de decisão que o teu pai ou a tua mãe já não tem, tu ainda os tens: três exames muitas vezes descurados, um movimento diário, uma rotina em vez de um objetivo.

Yvan Keyna · Publicado a 22 de setembro de 2026

Os anos de decisão que o teu pai ou a tua mãe já não tem, tu ainda os tens: três exames muitas vezes descurados, um moviment…

Um pai ou uma mãe com 75 anos ou mais tem cada vez menos controlo sobre a sua própria velhice: já não decide grande coisa sobre a maneira como quer envelhecer, nem sobre aquilo que se recusa a sofrer. Eu viro a pergunta ao contrário, e digo por onde começar, para ti.

Este capítulo, em Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?, vira ao contrário uma pergunta que costuma ser feita a um pai ou a uma mãe que envelhece: envelhecer bem começa pela saúde física, mental e emocional, antes das pessoas à volta. Três exames simples, uma referência diária, uma rotina em vez de um objetivo — eis por onde começar, concretamente.

Pergunta 1

Porque é que um livro escrito para um pai ou uma mãe que envelhece começa por falar de ti?

«O teu pai ou a tua mãe já não tem muito tempo para decidir como quer "envelhecer bem" e aquilo que não quer sofrer.» O livro continua com uma pergunta dirigida, desta vez, ao leitor: «E tu? Concordas que, se hoje tens de cuidar do teu pai ou da tua mãe, então tens os anos que ele já não tem?»

Esta viragem muda o assunto numa linha: de um pai ou de uma mãe, para ti. Nada no texto censura o leitor por nunca ter feito a pergunta a si próprio — o destinatário muda uma vez, sem julgamento.

Esta inversão abre o capítulo, em Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais? — um ensaio sobre o que acontece quando um pai ou uma mãe começa a envelhecer.

👉 Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?

Pergunta 2

O que quer dizer «envelhecer bem», se não é estar rodeado da família?

Nem menos dez anos, nem amigos, nem uma família feliz à nossa volta: «"envelhecer bem" começa antes de mais por ter uma excelente saúde física, mental e emocional.»

A expressão que muda tudo é «antes de mais». As pessoas à volta não contam para nada — vêm depois, não antes. Depois de lida a pensar no pai ou na mãe, esta frase relê-se a pensar em si próprio: a questão da saúde física, mental e emocional não diz respeito apenas a quem se visita ao domingo.

Pergunta 3

Por onde começar, concretamente, para cuidar da própria saúde?

Não um programa, um ponto de partida: uma análise ao sangue completa, uma análise à urina, uma análise às fezes — três exames que o livro assinala como muitas vezes descurados.

«Pede ao teu médico umas análises ao sangue exaustivas, complementadas por uma análise à urina e uma análise às fezes.»

  • Umas análises ao sangue exaustivas
  • Uma análise à urina
  • Uma análise às fezes

É uma afirmação do meu livro, não uma recomendação médica deste artigo: a questão cabe ao teu médico, único juiz da sua pertinência para ti. Nada aqui substitui uma consulta.

Ao lado destas análises, uma referência mais simples de manter: «anotar regularmente a tua facilidade em subir dez degraus de escada para vigiar as tuas capacidades físicas.»

Pergunta 4

Como instalar um movimento diário sem te forçares?

Nenhum programa a cumprir, um método em três gestos, pensado para alguém que nunca conseguiu começar a sério.

O primeiro gesto escolhe um ponto de partida: «Escolhe no YouTube um vídeo curto, entre 7 e 15 minutos, de ioga, alongamentos, dança ou fitness, conforme te apetecer.» Três a cinco minutos chegam para começar, e a rotina de base nunca passa dos quinze minutos.

O segundo gesto resume-se a uma roupa: «Veste uma roupa de desporto confortável e prática em menos de dois minutos.» Ela torna-se um gatilho — uma vez vestido, já não há desculpa a procurar.

O terceiro gesto cola o novo hábito a um hábito que já existe, o café da manhã ou lavar os dentes: uma rotina colocada imediatamente antes ou imediatamente depois de um gesto enraizado instala-se sem esforço de memória.

Um hábito de cinco minutos pode parecer irrisório para esperar um resultado. O livro corrige o objetivo: «não se trata de obter resultados, mas de te pores em movimento, de estares pronto!»

Pergunta 5

Porque é que um pouco de desconforto pode fortalecer, em vez de esgotar?

O livro distingue dois stresses que se parecem à primeira vista: o que desgasta e o que fortalece. «Um pequeno stress, uma pressão moderada, desencadeia no organismo mecanismos de adaptação que o tornam mais forte.»

Uma breve exposição ao frio, um jejum de um dia, um ligeiro desacordo que se ousa exprimir: exemplos do livro, não prescrições a seguir à letra. O que os distingue de um stress que destrói cabe numa só pergunta, feita pelo próprio livro: «O que estou a viver é desagradável ou simplesmente desconfortável?»

Aceitar este desconforto medido não é um castigo — é uma escolha, repetida, que fortalece a capacidade de aguentar os imprevistos. «Nunca te pões em perigo. Escolhes uma situação desconfortável, mas não desagradável.»

Pergunta 6

Deves fixar um objetivo, ou construir uma rotina?

A segunda opção, sem rodeios: «encontrar as tuas próprias rotinas, aquelas que vais poder manter ao longo de toda a tua vida» — não objetivos.

Um objetivo mede-se em sucesso ou fracasso, com uma data a cumprir. Uma rotina repete-se, sem exame de passagem — mantém-se, ajusta-se, sobrevive a uma má semana sem que seja preciso recomeçá-la do princípio.

Aqui também não se trata de fazer tudo já: são rotinas mantidas durante anos, não resoluções de Ano Novo.

Uma última linha do capítulo di-lo sem rodeios: «Vai integrar-se conscientemente no teu dia a dia sem nunca precisar de ser perfeita.» Uma permissão, não mais uma exigência.

Pergunta 7

Porque é que adiar a tua saúde é apostar contra ti próprio?

O livro coloca uma pergunta para imaginar uma única vez: para receberes vários milhões de euros, tens de ir ao hospital no espaço de um quarto de hora e assinar um papel — mas uma hemorragia ameaça matar-te nesse mesmo quarto de hora se não fores tratado. «O que escolhes? Vais ao hospital de urgência, claro.»

Ninguém hesitaria. E, no entanto, essa mesma urgência desaparece mal se trata de umas análises ao sangue que podem esperar um mês, de uma rotina adiada para a semana seguinte, de uma consulta empurrada por falta de tempo.

Não é falta de força de vontade: nada, no dia a dia, torna visível o que esse atraso custa. Uma rotina instalada agora não se sente — nota-se anos mais tarde, naquilo que evitou.

Os anos que ainda tens, ao contrário do teu pai ou da tua mãe, jogam-se também a este nível: naquilo que se decide agora, não naquilo que se promete fazer um dia.

O que este artigo não faz. Não substitui nenhuma opinião médica: a questão dos três exames cabe ao teu médico, não a este texto. Também não diz como abordar o assunto com um irmão ou uma irmã que não o vê da mesma maneira — esse assunto continua por tratar, e mereceria um texto só para ele.

Esta inversão — do pai ou da mãe para quem lê — desenvolvo-a no meu livro Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?, que assinei como Yvan Keyna, no capítulo dedicado a cuidar de si.

👉 Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?

Portrait de Yvan Keyna

Autor: Yvan Keyna


Fontes utilizadas (1)
# Facto citado Ligação
1 As citações e os exemplos deste guia vêm do capítulo 3 «Cuidar de si», secção 3.1 Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?

Perguntas frequentes

O que quer dizer «envelhecer bem»?

Nem menos dez anos, nem amigos, nem uma família feliz à nossa volta: envelhecer bem começa antes de mais por ter uma excelente saúde física, mental e emocional.

Por onde começar para cuidar da própria saúde?

Por três exames que o livro assinala como muitas vezes descurados: uma análise ao sangue completa, uma análise à urina e uma análise às fezes. A decisão cabe ao teu médico, não a este texto.

Deves fixar um objetivo ou construir uma rotina?

Uma rotina: as que puderes manter ao longo de toda a tua vida aguentam-se melhor do que um objetivo, que se atinge e depois se esquece.

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